Convidados especiais diretamente do Brasil para o festival!
O Festival Cinema Brasil deste ano traz dois convidados muito especiais, diretamente do Brasil: Paulo Betti, ator e diretor de Cafundó e Francisco Ramalho Jr., diretor de Canta Maria e produtor de O Beijo da Mulher-Aranha (1985).
Ambos estarão presentes no Space [:O] no dia 10 de outubro, às 20h.
A entrada é franca mas haverá distribuição de senhas no local, 15 minutos antes do início (número de assentos limitado).
* Em caso de imprevistos, a organização do Festival Cinema Brasil reserva-se o direito de alterar a programação sem aviso prévio. |
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Paulo Betti |
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| Paulo Betti - Formado pela Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo, foi durante sete anos professor do curso de teatro da Unicamp. Ator consagrado de televisão, do teatro e do cinema, recebeu os prêmios Molière (duas vezes), APCA (três vezes) e Mambembe (três vezes). Dirige a produtora Prole de Adão e preside a Casa da Gávea – Centro Cultural sediado no Rio de Janeiro. |
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Paulo Betti
Ator, Diretor de Cafundó |
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Paulo Betti é mais conhecido entre os brasileiros como ator de novelas. Mas ele arrasa também nos palcos, na tela grande e como diretor de cinema e teatro. De quebra, ainda dirige a produtora Prole de Adão e preside a Casa da Gávea – centro cultural sediado no Rio de Janeiro. Formado pela Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo, foi durante sete anos professor do curso de teatro da Unicamp.
Betti já recebeu vários prêmios e realizou vários sonhos. Vir ao Japão era um deles. "O país está fortemente relacionado com minha infância", diz o artista, que era só sorrisos na noite de estréia do Festival Cinema Brasil e atendeu a todos os pedidos dos fãs. Simpático e bem humorado, ele bateu um papo rápido com os jornalistas. Confira a seguir os melhores trechos da conversa:
Qual a imagem que fazia do Japão e o que foi que encontrou aqui?
Paulo Betti – O que eu imaginava estava relacionado à minha infância, em Sorocaba, interior de São Paulo. Cresci com os meninos japoneses que tinham a mesma idade que eu e que frenquentavam a mesma escola, moravam no mesmo bairro, e comia a comida japonesa na casa deles. O que me marcou muito foi a personalidade deles. Eles eram muito radicais: eram muito certos e corretos ou muito bagunceiros. Tive oportunidade de conviver com esses dois tipos de japoneses, mas os disciplinados são a maioria. Sempre tive também muita admiração pelos artistas plásticos, cineastas, escritores e pelo mistério que cerca essa cultura. Era de uma família de imigrantes italianos, e sempre ficávamos admirados em ver como os japoneses conseguiam fazer render um pequeno pedaço de terra. Eles sabem aproveitar um espaço pequeno e produzir bastante. Tínhamos, na verdade, admiração pela competência dos japoneses. Aqui no Japão encontrei essa competência e, percebo que ela faz uma enorme diferença. Você vê tudo funcionando direito, tudo ordenado, as pessoas andando na rua e cada um respeitando o espaço do outro. Elas têm uma noção teatral incrível da noção do espaço. Não fica todo mundo junto, aglomerado.
O cinema brasileiro tem ganhado cada vez mais espaço no exterior. Qual a importância do seu filme ser exibido aqui no Japão?
Paulo Betti – São duas coisas importantes para mim: uma é a possibilidade profissional de realizar uma possível co-produção com o Japão, e outra é sentimental, afetiva. Afinal, estou retomando o contato com meus amigos da infância. Vindo para cá me vêm à cabeça aqueles meninos que conviveram comigo.
Numa entrevista anterior, você tinha dito que o japonês ia entender fácil seu filme, que fala de fé e espiritualidade. Foi o que você viu e sentiu na estréia do Festival?
Paulo Betti – Acho que sim. Essa história de conviver com espíritos não é coisa só de brasileiro. E meu filme fala disso. Há inclusive um filme japonês, Contos da Lua Vaga, que fala exatamente de possessão.
Quais são seus planos com relação à direção de filmes?
Paulo Betti – Estou com alguns projetos. Tenho intenção de fazer uma co-produção com Japão, e levar um ator ou atriz japonesa para filmar no Brasil, e o outro filme é sobre a música popular brasileira. O nome do longa é A Canção Brasileira, uma opereta de 1930 que conta o surgimento da MPB. É um musical que fiz no teatro e que agora transformei em roteiro cinematográfico.
Com relação a novelas, você tem algum projeto em vista depois de Sete Pecados?
Paulo Betti – Estou fazendo agora uma minissérie na TV Globo, Som e Fúria, dirigida por Fernando Meirelles. Novela só depois da minissérie. Fora isso estou no Teatro da Gávea, um pequeno centro cultural.
Qual a importância deste Festival Cinema Brasil para a indústria cinematográfica brasileira?
Paulo Betti – O Festival funciona como uma semente e temos de aproveitar onde pudermos ter espaço, onde pudermos exibir e aproximar nossas culturas. O Brasil tem muita coisa em comum com o Japão, então essa aproximação é muito positiva e este festival serve para isso. Além do que é uma delícia vir para cá (risos).
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Francisco Ramalho Jr. |
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Francisco Ramalho Jr.
Produtor e Diretor de Canta Maria |
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Francisco Ramalho Jr. - É professor palestrante da Fundação Getúlio Vargas, do curso de extensão universitária Film & Television International Business, e da Escola Superior Sul Americana de Cinema e Televisão do Paraná - CINETVPR. Desde 1968, quando estreou como diretor em longa-metragem, dirigiu, foi roteirista, produziu e distribuiu inúmeros filmes, além de ter também produzido peças teatrais.
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O ar sério de Francisco Ramalho Jr. contrasta com o jeito simples e divertido de expor as idéias. Foi assim, num clima bem informal, que o diretor de Canta Maria falou das primeiras impressões sobre o público nipônico e a capital japonesa. “Fiquei muito surpreso com Tóquio”, já foi logo avisando.
Ramalho Jr. já dirigiu vários filmes, entre eles, Besame Mucho, O Cortiço e À Flor da Pele. Também produziu inúmeras obras, como O Beijo da Mulher Aralha, vencedor do Oscar de melhor ator (William Hurt). No Festival Cinema Brasil ele participa com o longa Canta Maria, que é baseado no romance do escritor sergipano Francisco J.C. Dantas. Confira a seguir os melhores trechos do bate-papo que tivemos com o cineasta – na cozinha improvisada nos fundos do salão, que se transformou em sala de cinema, do imponente Omotesando Hills.
Esta é sua primeira visita ao Japão. Está gostando? É como imaginava?
Francisco Ramalho Jr. – Na verdade, estou muito surpreso com Tóquio. Imaginava uma cidade muito mais agressiva, com uma população imensa. Achava que era um aglomerado exagerado. Tinha até medo de vir a Tóquio. Mas encontrei um lugar extremamente civilizado, agradabilíssimo de se viver e, apesar do tráfico intenso, nada comparado ao caos da cidade de São Paulo. A capital tem ainda uma beleza arquitetônica e moderna e pessoas com uma extrema amabilidade que tocou a minha alma. Estou felicíssimo de estar aqui.
Inspirador para algum filme, de repente...
Ramalho Jr. – Com certeza. Essas coisas sempre marcam. Este último filme, Canta Maria, se passa no Nordeste. Quando comecei minha carreira, fiz vários documentários que se passavam naquela região. Mais tarde, li um romance, cujo cenário era o Nordeste dos anos 30 e vi naquela obra várias situações. A partir daí voltou a vontade de resgatar aquilo que estava dentro de mim...
Quem sabe o senhor encontra um livro sobre o Japão...
Ramalho Jr. – Pois é, num dado momento encontro uma história interessante, de amor, com uma moça bonita. A partir daí pode nascer um filme.
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“Eventos como o Festival Cinema Brasil ajudam a promover a integração entre o Brasil e o Japão”
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E o público japonês. Como foi a recepção até agora?
Ramalho Jr. – O público japonês é muito interessado. E o japonês está dentro da minha alma: cinema, literatura, fora as relações com a comunidade japonesa, que está muito bem integrada à sociedade brasileira... Vou contar uma história: na minha vida profissional filmei muito fora do Brasil e, dentre essas andanças, passei dois anos na Argentina trabalhando. E o que mais queria ao voltar ao Brasil era ver negros e japoneses na rua. Meus olhos precisavam disso, fazia parte da minha vida, parecia que tinha sido roubado algo da minha alma, pois lá é muito difícil ver negros ou japoneses pelas ruas.
Tinha alguma coisa que estava na sua lista de prioridades ao visitar o Japão?
Ramalho Jr. – Queria ver pessoas. Eu adoro ficar parado na rua, vendo o movimento. Ver tipos, hábitos, gente andando de bicicleta, a mulher carregando seu bebê... A arquitetura de Roppongi também me chamou a atenção. Sou muito interessado em arquitetura, que para mim são quadros.
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